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5 de outubro de 2026Você provavelmente já ouviu alguém falar em “língua presa”. O termo popular está relacionado à anquiloglossia, uma alteração do frênulo lingual que pode limitar os movimentos da língua.
O frênulo é uma estrutura localizada abaixo da língua e sua avaliação pode ser importante em diferentes momentos da vida, especialmente quando existem dificuldades relacionadas à sucção, alimentação, mastigação, deglutição ou fala.
Mas existe um ponto importante: avaliar o frênulo não significa apenas observar sua aparência. É preciso compreender como a língua se movimenta e se existe alguma repercussão funcional.
O que é o frênulo lingual?
O frênulo lingual é uma membrana que conecta a língua ao assoalho da boca e participa da dinâmica dos movimentos da língua.
Quando apresenta determinadas características que restringem sua mobilidade, pode estar relacionado à anquiloglossia, popularmente conhecida como língua presa.
Entretanto, a presença de um frênulo com determinada aparência, isoladamente, não é suficiente para definir se existe uma alteração funcional. Por isso, a avaliação precisa considerar estrutura e função.
O Teste da Linguinha é importante, mas e quando ele não foi realizado?
A avaliação do frênulo faz parte da triagem neonatal, realizada por meio do Teste da Linguinha.
Quando o teste não foi realizado após o nascimento, existe dúvida sobre o resultado ou surgem dificuldades posteriormente, ainda é possível investigar o frênulo.
A avaliação pode ser realizada em diferentes fases da vida, utilizando protocolos adequados à idade e às características do paciente.
O que é avaliado?
Em crianças maiores, a avaliação pode envolver aspectos anatômicos e funcionais da língua. Entre eles estão:
– Características e pontos de fixação do frênulo;
– Mobilidade da língua;
– Elevação e protrusão;
– Movimentos necessários para diferentes funções;
– Aspectos da mastigação e deglutição;
– Posicionamento e participação da língua durante a fala;
– Possíveis alterações na articulação dos sons.
Também é importante compreender a história da criança, suas queixas e possíveis dificuldades relacionadas à alimentação, mastigação, deglutição ou fala.
Assim, a avaliação não olha apenas para uma estrutura isolada, mas procura compreender como ela funciona dentro de um conjunto de funções orofaciais.
Frênulo lingual e fala: existe relação?
Uma das dúvidas mais comuns está relacionada à fala. Uma alteração no frênulo pode limitar determinados movimentos da língua e, em alguns casos, interferir na realização de movimentos necessários para a articulação de determinados sons.
Porém, nem toda alteração de fala é causada pelo frênulo lingual. Por isso, não é adequado concluir que uma criança apresenta dificuldade para falar simplesmente porque possui um frênulo aparentemente alterado.
É necessária uma avaliação fonoaudiológica que considere a fala, a mobilidade da língua, as estruturas orofaciais e o funcionamento global.
E a alimentação?
A língua participa de diferentes etapas da alimentação. Se sua mobilidade estiver comprometida, pode haver repercussões em funções como mastigação, organização do alimento e deglutição.
Na infância, isso merece atenção especialmente quando existem sinais como mastigação muito demorada, preferência por alimentos de determinadas consistências ou dificuldades que interferem na alimentação.
Isso não significa que esses sinais sejam necessariamente causados pelo frênulo. Eles são indicadores que podem justificar uma investigação mais cuidadosa.
A avaliação na Fonotriar
Aqui na Fonotriar, a avaliação do frênulo lingual é realizada de forma individualizada, considerando a história e as necessidades de cada paciente.
Em crianças maiores, podemos utilizar o Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua, de Marchesan (2014), que contempla anamnese, avaliação anatômica, mobilidade da língua e aspectos relacionados à fala.
Dessa forma, buscamos compreender não apenas como o frênulo se apresenta, mas principalmente se existe alguma possível interferência na função.
Quando uma alteração é identificada, a conduta é definida de acordo com cada caso e pode envolver acompanhamento fonoaudiológico e, quando indicado, encaminhamento para outros profissionais.
Avaliar é compreender, não apenas observar
Quando falamos em “língua presa”, é comum pensar imediatamente na fala. Mas a língua participa de muito mais do que isso.
Sucção, alimentação, mastigação, deglutição e fala dependem de movimentos coordenados da língua.
Por isso, uma avaliação adequada precisa ir além de simplesmente “olhar o freio”. Precisa compreender a criança como um todo, ouvir sua história e observar como aquela estrutura está relacionada às suas funções.
Aqui na Fonotriar, acreditamos que cuidar é olhar para cada detalhe com conhecimento, sensibilidade e respeito à individualidade de cada criança.
Fonotriar. A linguagem do amor é cuidar.


